Quase cem anos depois, o Manifesto Antropófago (1928) continua a ser o mais radical opúsculo cultural e político brasileiro do século XX.
Caetano Veloso considera-o a base intelectual e a “grande herança” para a Tropicália.
Viveiros de Castro, um dos mais renomados antropólogos vivos, encara o icónico Manifesto de Oswald de Andrade não apenas como “uma peça literária modernista, mas uma profunda reflexão decolonial e filosófica”, que antecipa conceitos importantes da etnologia ameríndia.
O Manifesto Antropófago foi o mais feroz e criativo grito estético do movimento modernista no Brasil e o seu conceito de antropofagia constitui ainda hoje uma chave anticolonial de autodeterminação cultural.
A partir do Manifesto da Poesia Pau-Brasil deixou de haver mais espaço para uma literatura com linguagem erudita, balofa e barroca. Oswald fundou um novo idioma, uma identidade singular e subversiva dos códigos estéticos, literários e culturais. O conceito do literário modificou-se de maneira violenta a partir da Semana de Arte Moderna, mas é principalmente a partir do Manifesto Pau-Brasil que a literatura moderna brasileira sofre o seu maior abalo e referente vanguardista.














