Ancorada nas suas experiências na Nigéria e no diálogo estabelecido com movimentos sociais da América Latina e de outras regiões do mundo, Federici examina as formas pelas quais as políticas neoliberais intensificam os processos de expropriação da terra, da habitação, dos recursos naturais e dos meios de subsistência.
Ao estabelecer uma continuidade histórica entre os cercamentos que viabilizaram o advento do capitalismo — mediante a destruição dos bens comuns, a “caça às bruxas” e a proletarização das populações rurais — e os “novos cercamentos” que sustentam a actual fase de acumulação capitalista global, Federici evidencia a persistência da violência estrutural inerente à expansão das relações capitalistas.
Neste contexto, atravessadas pela precariedade e pela dívida, sofrendo na pele um novo processo de neo-colonização, as mulheres emergem como sujeitos centrais das práticas de resistência. Da Nigéria ao México, passando pela Bolívia, Brasil e Estados Unidos, os corpos femininos assumem a defesa dos bens comuns e a reconstrução de práticas colectivas de reprodução da vida que desafiam a mercantilização da existência e o controlo estatal e privado da existência.
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Silvia Federici (Parma, 1942) é historiadora e uma das teóricas mais influentes do feminismo anticapitalista. A viver nos Estados Unidos desde 1967, é actualmente professora emérita na Universidade Hofstra, em Nova Iorque. A sua obra, em especial Calibã e a Bruxa: As Mulheres, o Corpo e a Acumulação Original, consolidou-se como uma leitura essencial para os movimentos feministas contemporâneos.












